segunda-feira, maio 02, 2005


O consigliere pendura

Quase todos os homens se consideram bons condutores. Brincaram com carrinhos em pequeninos e isso deu-lhes calo, está-se mesmo a ver... De facto, de facto, uns são bons, outros nem por isso e muitos não passam de nódoas. Em geral, dos convencimentos infantis não vem grande mal ao mundo e não há particular vantagem em explicar-lhes que aquele jogo de pés é mais sapateado que desporto ou que o excesso de mudanças por metro quadrado é mais desconforto que destreza.

Ao inócuo delírio de imagem, acresce, no entanto, que indivíduos com, pelo menos, seis graus de separação do chimpanzé, que, normalmente, respeitam a inteligência e capacidade alheias, sem tolice de raça, religião ou cromossoma, usam, quando conduzidos por uma mulher, proferir inanidades como "agora tudo para a direita". E vá-se lá dizer-lhes "ainda bem que aqui está, homem querido, sem si eu ia mesmo era enfiar o veículo dentro da montra da pastelaria, como faço todas as manhãs por esta hora, não reparou nos riscos brancos no pára-choques? são marcas de chantilly"…

Uma mulher pode ter conduzido centenas de milhares de quilómetros, por terras e pisos variados, pode até ter feito alguma competição, pode perceber de mecânica e saber de carros, mas, obviamente, não beneficia da precisão ocular do macho da espécie para parquear. Vendo bem as coisas, quantas arrumadoras andam por aí à caça da moedinha? QED, de forma pura, clara e cristalina. O que me leva a perguntar: para sair daqui, devo bater primeiro no poste de electricidade ou basta atropelar a velhinha?